Concerto ítalo-cearense
O Theatro José de Alencar será palco, amanhã, do encontro de músicos da Orquestra Filarmônica do Ceará e da Società Italiana della Musica e del Teatro di Chieti
O maestro Maurizio Colasanti, os solistas Antonello Pellegrini (clarinete) e Gabrile di Iorio (flauta), da Società Italiana della Musica e del Teatro di Chieti, fazem uma apresentação especial, amanhã, no TJA, como convidados do concerto em comemoração aos 10 anos de atividades da Orquestra Filarmônica do Ceará (OFCE). A apresentação vai reunir outros 45 músicos da filarmônica cearense, que, há três meses, empenham suas técnicas e musicalidades para a chegada dos músicos italianos e para a realização de algumas das mais tradicionais obras eruditas.
A participação de integrantes da sociedade musical italiana faz parte de um projeto de colaboração cultural com a OFCE, afim de promover o intercâmbio artístico-musical entre Itália e Brasil, com a recíproca realização de óperas, concertos, “masterclasses”, seminários, turnês, além da realização de CDs e DVDs. E o concerto deste domingo, no Theatro José de Alencar, é o primeiro fruto desta colaboração. O programa do concerto é dividido em três partes, começando por Wolfgang Amadeus Mozart (flauta in Ré maior), com destaque para o solista Gabrile di Iorio. Em seguida, concerto para Clarinete in Si bemol Nº 3, de Karl Stamitz, com o solista Antonello Pellegrini . Para fechar a programação, será interpretada a quinta sinfonia de Ludwig Van Beethoven. “São três peças clássicas, consagradas por grandes orquestras do mundo”, avalia o maestro Gladson Carvalho, fundador e regente titular da Orquestra Sinfônica do Ceará.
No concerto, Carvalho cederá a regência de sua orquestra para o maestro italiano Maurizio Colasanti. “A presença dele e dos dois solistas representam um momento muito importante para a história da nossa música erudita, fortalecendo nossa orquestra”, diz o maestro cearense. O intercâmbio, como era de esperar, é uma via de mão dupla. “Em julho, vou reger a orquestra deles e levar solistas nossos para a Itália. Já imaginou, levar nossos músicos, garotos pobres da cidade, para solar na Europa? Vai ser uma oportunidade única, uma coisa fantástica”, afirma.
Sem apoio estatal
Gladson Carvalho percebe um momento de crescimento e amadurecimento dos músicos e de toda a equipe da OFCE, assim como o reconhecimento do público cearense em relação ao trabalho desenvolvido pela sua orquestra ao longo destes dez anos de história. Mas isso, segundo ele, não impede que a OFCE enfrente muitas dificuldades. “Nós dependemos de doações para continuar indo em frente. Não temos sede própria e nossos músicos continuam sem ter salário”, informa Gladson.
Manutenção
Segundo ele, a diferença entre uma filarmônica e uma sinfônica está em sua manutenção. “As sinfônicas são estatais. Não é o caso de nossa filarmônica, portanto, que depende do apoio de empresas. Até para ensaiar, a gente precisa recorrer à ajuda de uma escola particular, a Viva Música Viva, que é uma espécie de sede provisória”. Para a apresentação deste domingo, no entanto, Gladson Carvalho conta com o apoio do Banco do Nordeste do Brasil. “O BNB vai pagar um cachê simbólico para todos os músicos da orquestra”, diz.
Mesmo sem ter um salário a oferecer, a Orquestra Filarmônica do Ceará atrai muitos músicos de talento e não somente do Estado. “Nós temos músicos de vários bairros de Fortaleza, como Siqueira, Bom Jardim, Conjunto Ceará, Morro do Teixeira, mas também de outras partes do país, principalmente do Nordeste. E até músicos estrangeiros compõem a Orquestra. Temos um cubano, um alemão e uma belga. É um grupo plural”, comenta.
Balanço
Em dez anos de estrada, a OFCE contabiliza dois CDs gravados. O próximo desafio é gravar o CD-DVD “Filarmônica Gonzaguiando”, que vai reunir, no mesmo palco, os músicos da orquestra e os sanfoneiros Dominguinhos, Adelson Viana, Zé de Manu e Zé do Norte, todos sob a regência de Carvalho. “Vamos incluir só músicas de Luiz Gonzaga, numa homenagem a um dos maiores artistas de todos os tempos”. Segundo o maestro, outra apresentação da orquestra está marcada para 2 de novembro, Dia de Finados. Na oportunidade, será interpretada uma das mais famosas composições de Mozart, a missa Réquiem. “E no Natal, vamos oferecer aos cearenses uma apresentação da nona sinfonia de Beethoven, com grande coral e grandes solistas”, diz.
Délio Rocha
Repórter
Mais informações:
Concerto da Orquestra Filarmônica do Ceará, sob a regência do maestro italiano Maurizio Colasanti. Amanhã, às 19 h, no Theatro José de Alencar. Entrada: 2 quilos de alimentos não perecíveis (serão doados para a Casa do Menino Jesus). Informações: (85) 3101.2568.